Olavo Bilac - Contos para Velhos - 10 / 16









CONTOS PARA VELHOS - Bob (pseudônimo de Olavo Bilac)


X - IMUNIDADE...


Foi Praxedes Cristiano À Capital Federal: Levou a mulher, o mano E a filha. E, ao cabo de um ano, Regressa ao torrão natal.

Regressa... Vão esperá-lo, Com festas e rapapés,

Queimam-se as bichas de estalo,

Foguetes e busca-pés.

Praxedes, guapo e pachola, Vem transformado e feliz: Traz polainas e cartola, E guarda-chuva de mola, E botinas de verniz.

E a mulher, gorda matrona, É aquilo que se vê: — Vem que parece uma dona, — Vestido cor de azeitona, Saído do Raunier...

Depois do almoço, se ajunta Toda a gente principal: E, depois de toda junta. — O que há de novo, pergunta, Na Capital Federal.

Praxedes impa de orgulho, E principia a falar: “Ah! que vida! que barulho! No Rio, este mês de julho É mesmo um mês de gozar!”

Praxedes fala de tudo, Sem cousa alguma esquecer; Todo o auditório peludo Fica tonto, fica mudo, E de tudo quer saber.

Nisto, o velho boticário, Sujeito de distinção, Que idolatra o Formulário E é a glória do campanário. Põe em campo esta questão:

“Já que tanta cousa viste, Praxedes, dize-me cá: Dizem, não sei se por chiste Ou por maldade, que existe Muita sífilis por lá...”

“É pura intriga, seu Ramos!

(Diz o Praxedes) que quer?

Um ano por lá passamos... E nada disso apanhamos, Nem eu, nem minha mulher!”









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